Sempre achei o mês de Janeiro muito longo, nunca gostei dele por me aperceber com o decorrer dos dias /semanas que a vida não mudava só porque um novo ano começou. Depois todas resoluções e promessas também se iam desvanecendo ao longo do mês.
Há dois anos cortei o mal pela raiz e deixei de as fazer, cortei o mal pela raiz como se costuma dizer.
Voltando a ti Janeiro não querido por muita gente, não foste assim tão péssimo mas podias ter sido mais leve.
Voltei a sentir-me bem a ouvir a "palavra de Deus", as pessoas e os lugares fazem diferença nesta causa, voltei a almoços e lanches com a amigas, saí mais do meu silêncio para rir às gargalhadas e as conversas disparatadas e que só têm sentido para nós.
Os abraços encheram o primeiro mês do ano, como se dissessem não te deixamos cair.
Pedi para arrumar as minhas gavetas internas, mas ainda não é possível, ainda está muita coisa a acontecer. Mas vi um arco-íris duplo e foi o mês que mais vi pombas brancas. Penso que a esperança devia ser um sentimento inato e não obrigarmo-nos a pensar nela.
Nesta última pensei nos meus desejos para o resto dos meses, talvez só para Fevereiro e Março, assim passo a passo, criando a intenção e concretizando pouco a pouco para ser mais certo e consistente.
Sempre gostei da palavra guerreira e admirei mulheres guerreiras.
Até que me disserem uma vez - "Ela é guerreira, ela aguenta". Em vez de me sentir orgulhosa de mim, senti que tinha levado um soco no estômago e que caí.
Passei a detestar esta palavra.
O estereótipo da mulher guerreira é aquela que aguenta tudo e com tudo, é aquela que não cai, que não precisa de ninguém nem de ajuda.
Pois não é, mulher guerreira é mulher, aquela que lhe doi como te doi a ti, a que sofre como tu sofres, a que chora e grita, a cai inúmeras vezes, a que vai ultrapassando os obstáculos e que tropeça no quinto e depois vai contra todos os outros, e que por incrível que pareça também sente, só que as expectativas são grandes e parece que nada a derruba, só que não.
Eu quero ter a coragem de deitar a toalha ao chão, dizer que não consigo mais, ficar deitada no chão o tempo que eu quiser ficar e não ter que me levantar para acudir alguém.
Quero respirar sem me sentir a hiperventilar.
Viver sem ser a supermulher.
Ter gosto pela minha vida, ansiar por fazer coisas mas as minhas coisas.
Mandar-vos à merda e seguir em frente.
Testemunho de uma mulher guerreira que é apenas uma mulher!
Tudo está marcado nas minhas células, marcado com um ferro a ferver.
Não me permito falhar nem estar aquém das minhas altas expectativas para mim e para os outros, sobretudo para os outros, massacro-me mais.
A pergunta "Onde me perdi?" vem à cabeça com uma chicotada e total culpa a quem não se permite falhar. Já ouvi a resposta à minha pergunta por parte de uma profissional de saúde, trouxe-me apenas tranquilidade temporal. Assim que li essa frase no livro "A leveza de viver, de Yung Pueblo", o meu corpo e sobretudo a minha mente accionaram os botões de alerta.
Terei que me colocar numa espécie de redoma e clicar no botão de RESET, como fazemos a todos os nossos equipamentos electrónicos? Ou terei que continuar na minha vidinha e esperar pela próxima para vir limpinha?
Sinceramente não me apetecia nada voltar cá outra vez!
Meu Deus muito obrigada por finalmente o mês de Dezembro ter passado. Nada contra a celebração do teu nascimento e espero que me perdoes por tamanho sacrilégio mas ver tanta gente a sorrir, a correr de um lado para o outro sem terem tempo se quer para pensar, ter uma lista interminável de pessoas para comprar presentes e sentir uma obrigação de "tem que ser", das famílias que se juntam para te celebrar mas que antecipadamente já sabem que esse convívio tem tudo para correr mais mal do que bem.
Dos que se sentem anualmente sozinhos e que essa data espeta mais no peito essa solidão, outros, que só queriam ter uma quadra calma e com muitos momentos de solidão e sai tudo ao contrário do desejado.
Passada uma semana, levamos com outra celebração! Era mesmo necessário ser tudo tão perto?
Não há mais dias num calendário?!
A alegria, o entusiasmo de um Ano Novo, a vida vai mudar, vamos ser melhores pessoas, vamos comer e fazer exercício, vamos investir em mim, ou seja vamos fazer tudo Mais e passados 15 dias tropeçamos e caímos na dura realidade, NADA MUDOU, porque continuámos todos a fazer o mesmo mas esperávamos que o novo ano nos mudasse.
Queridos leitores nada muda se não nos propusermos à mudança, nem que seja só um bocadinho, um pensamento, uma postura, uma atitude.
Bem perto do Natal participei numa angariação de fundos para os jovens irem ao Jubileu em Roma, e logo a minha primeira abordagem teve como resposta uma confirmação aquilo em que acredito.
A senhora quando lhe expliquei que a angariação era para os jovens irem participar no Jubileu e que seria presidido pelo Papa, a senhora disse - "Nem me fale no Papa que aquele gordo quando aparece na televisão dá-me vómitos". Para primeira abordagem comecei bem, foi logo o meu pensamento.
Não contrapus porque acredito que todos somos livres para ter uma opinião mais ou menos fundada naquilo em que acreditamos, embora eu acredito mesmo que o Papa Francisco quisesse fazer mais do que a própria instituição igreja ao qual ele pertence é verdade, não lhe permita.
Na continuação da conversa, a senhora disse-me que acreditava em Deus e que não precisamos de ninguém para estarmos ligados a Ele, que nós somos as Suas sementes. E foram estas as palavras, que são o meu total pensamento e aquilo em que acredito.
Entendi que talvez a falta de fé que tenhamos não seja tanto em Deus mas nas pessoas que O "representam", nos que falam em Seu nome sem praticarem as suas doutrinas, ou praticarem as doutrinas que a própria igreja criou como mais conveniente para si própria.
A nossa falta de acreditar passa por uma igreja que protege os seus que cometem crimes hediondos e os coloca em outro sítio e que acusa "viver em pecado" a quem não é casado (não pode casar) pela igreja, falta de acreditar em homens que não são apenas homens mas sim homens que por escolha própria e individual vieram estar a cima das suas necessidades, e não escrevo de necessidades físicas, mas sim necessidades humanas para estarem ao serviço das necessidades do mundo.
Últimas palavras da senhora, "Menina, Leia, informe-se e PENSE!"
No final contribuiu com 10€ e não quis postais nem marcadores de livros.
Podemos acreditar, falar, agradecer, pedir apenas a Ele, a DEUS, só Ele tem o poder.