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C´est La Vie Amelie

C´est La Vie Amelie

Pendurei o meu aniversário

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Literalmente pendurei os meus 46 anos,

Andavam aqui por casa atrás de um charriot há 7 meses. 

O que me trouxeram estes 46 anos? Muito, aliás o que é que estes últimos 6 anos me têm trazido!

Ultimamente tenho falado muito no tempo, dar tempo ao tempo; o tempo mostra tudo, a verdade e a mentira; o tempo cura tudo se não cura atenua, e talvez esse tempo que é necessário para tudo tenha sido o meu calcanhar de Aquiles, por me ser difícil a espera, por saber que é necessário esse tempo mas não ter paciência para esperar. Lembro-me de ser pequena e a minha avó dizer - "... cadelas apressadas parem filhos cegos", ah ah ah, tal era a minha impaciência em esperar.

Mas realmente a "ternura dos quarenta" como canta o cantor, traz a separação do trigo do joio do que é prioritário na nossa vida, de quem queremos manter ou não na nossa vida, as nossas escolhas são decididas com outros critérios, e uma má escolha é levada de maneira menos castradora.

Na verdade só há uma coisa que os 40 e tal me estão a trazer, a noção do tempo a passar e a esgotar-se, a sentir que a vida está a passar mas que eu não estou a decidir apanhar o comboio estou a optar por o ver passar porque não estou a saber para qual destino eu quero ir. Talvez por milagre acorde um dia com esse destino bem definido.

Só podemos propor, não podemos impor

Só podemos propor, não podemos impor. (1).png

É isto que tenho trabalhado na minha forma de ser.

Por achar e fazer o que acho que os outros devem fazer, de achar o que é melhor para eles e que eles deviam fazer isso, de procurar ajudar e ser o motor de arranque e os outros não quererem ser ajudados.

Tomar as dores dos outros e não querer que sofram, enquanto tomo essas dores não penso nas minhas, é ser a salvadora sem muitas vezes conseguir salvar-me a mim.

Largar é o meu verbo para este mês. É largar para que todos façam as suas escolhas e que tenham responsabilidade por isso. Nem consigo dizer muito bem se tem sido fácil ou difícil, apenas larguei e não penso nisso deixo para eles próprios. 

Deixei de impor e acho mesmo que até mesmo deixei de propor decidi que cada um deve remar o seu barco e seguir o seu caminho como bem entender.

Agora que realmente penso nisso até me traz uma certa leveza. Sentia-me há muito tempo o animal a puxar uma carroça com várias pessoas lá em cima, agora cada um puxa a sua se quer continuar a andar.

 

Só podemos propor, não podemos impor.

 

 

 

Encontrar o lugar

Aos poucos começo a encontrar o meu lugar e não ansiar sempre estar onde não estou ou sentir que não pertenço a lugar nenhum.

Consegui isso através do resguardo social, do silêncio, de estar sozinha e perceber o que me incomodava e de como me estava a sentir, de ser acompanhada psicologicamente através de uma psicoterapeuta que me ajuda através de ferramentas e que me mostra também o outro lado das coisas. Parei de ouvir os outros, as suas certezas, suas opiniões e sugestões, que acredito que muitas vezes não o façam por mal e só queiram ajudar mas nós, só nós é que sabemos e sentimos na nossa pele tudo e em algumas alturas nem consigamos fazer o que "deveria" ser feito.

Nós somos todos diferentes, nem aquela pessoa de família ou amiga mais parecida connosco irá sentir ou reagir como nós, dar a importância ou desvalorizar algum acontecimento porque nós na realidade somos mesmo diferentes e porque nunca poderão calçar os meus sapatos.

Aos poucos encontro o meu lugar, na capital do meu país que escolhi ou que me escolheu para viver desde sempre e que eu finalmente percebo que não quero sair daqui, mas que uma casinha no meu do mato faria as minhas delícias em temporadas mas não em definitivo.

Porque gosto de passear nos vários bairros da minha cidade, de ver lojas, de estar numa esplanada ao sol a ver as pessoas a passar, de ter acesso a tudo à hora que me apeteça, de ter acesso a cuidados de saúde sem estar a quilómetros de distância e que a minha vida ou a da minha família dependa disso.

Porque gosto da minha cidade embora também não goste de tudo, porque só preciso de estar num lugar onde me sinta bem.

Livraria Low Cost

 

Em Lisboa na Av. de Roma nº 61B abriu uma livraria low cost e eu fui fazer uma visita. Apaixonada que sou por livrarias sobretudo por estas "pequenas" livrarias diferentes dos grandes centros e muito próximas dos clientes.

Os preços são um grande atrativo, 1 livro 4€, 2 livros 7€, 5 livros 15€, os diferentes estilos de escrita estão devidamente separados por estantes e de fácil procura e há sempre a possibilidade de encontrarmos livros diferentes que já não estão no mercado.

Confesso que esta ideia não é para mim a mais forte, porque a sensação de ter um livro novo, o cheiro das páginas e o sentimento de ser a primeira pessoa a ler aquelas palavras é de uma paz e conforto inigualável (mal comparado como comprarmos um carro novo). Eu ia trazer um livro mas por ter uma dedicatória para alguém já não o consegui trazer, é muito pessoal e sinceramente a mim causa-me uma certa estranheza alguém conseguir dar/vender ou desfazer-se de algo tão pessoal e com palavras especificamente para mim, mas somos todos diferentes.

Claro como consumista que sou, trouxe três livros, dois para mim, de estilos diferentes, muito diferentes, um romance que se passa em Itália (que neste momento é assim a minha paixão de momento) e um livro que não sei bem classificá-lo, talvez não ficção, e um terceiro para uma adolescente, sem ter a certeza que irá gostar mas vamos ver.

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A Carteira, Francesca Giannone

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Gostei bastante deste livro, já tinha visto várias pessoas a falarem e comentarem sobre ele mas preferi não ler nenhum do conteúdo publicado.

Anna chega à pequena aldeia de Itália de Lecce no ano de 1934, terra em que o seu marido Carlo nasceu e cresceu, aí encontra a família do marido e uma aldeia que a vê sempre como forasteira. Na verdade é uma aldeia que não consegue acompanhar uma mulher muito à frente do seu tempo e concorre ao lugar de carteiro da aldeia e fica com o lugar.

Ao longo da narrativa ficamos a conhecer cada uma das várias personagens e as suas próprias histórias que acabam por estarem interligadas.

O final é uma surpresa, mas um desfecho perfeitamente normal.

A leitura flui naturalmente e a meio do livro mais ou menos, é difícil parar.

Por esta Anna e por toda a história dela e da sua luta, claro que super recomendo e agora fiquei desejosa de ler "Amanhã, Amanhã" também desta autora.

 

Já leram A Carteira? O que acharam?

 

imagem: internet

 

 

 

 

O Elevador, Filipa Fonseca Silva

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Dizer que adorei não posso mas dizer que não gostei também não.

Este romance da Filipa Fonseca Silva pode-se dizer que é um livro leve e que se lê num ápice, por ser pequeno mas também a sua escrita é bastante simples e fluída.

Sara e Alex são um casal que ao saírem para uma festa de aniversário ficam fechados no elevador do seu prédio.

Esta situação leva-os a ter uma conversa sobre o estado da relação dos dois que há algum tempo ambos estavam a adiar. Duas perspectiva diferentes da relação e duas pessoas a quererem coisas diferentes, trazem ao diálogo situações passadas.

Como iniciei assim termino, não adorei mas também não posso dizer que não gostei e em alguns momentos fiquei com a sensação que muitos casais se poderiam identificar.

Por isso se querem um livro para ler entre livros ou ter uma leitura levezinha, este livro é sem dúvida uma boa opção. 

 

imagem: internet

Março

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Bem e Fevereiro já lá vai!

É um dos meses que gosto menos.

Fevereiro foi intenso a nível de emoções e consciência. Percebi que quando se abre o pano não o podemos voltar a fechar, Não funciona como o pano de um teatro.

Os almoços combinados com as amigas, que se estendem até à noite trazem-me a parte social que necessito à minha vida mas que não procuro por querer, talvez fosse ermita se fosse possível!

Deram-me os parabéns por estar a crescer por ver realmente as pessoas como elas são (aplica-se aqui o pano que se abriu de que descrevi à pouco). Não vi ou não queria ver, também por sobrevivência e por pertença e até mesmo por ter que optar por um lado, nem sempre fui justa com outras pessoas. Apesar de ser uma altura da minha infância, da adolescência e até mesmo numa fase adulta, tudo isso traz um sentimento de culpa de valor acrescentado.

Fevereiro trouxe-me também a informação que só ter consciência não resolve, é necessário mudar, é urgente mudar.   

O que posso fazer já hoje para mudar o que precisa de ser mudado?

Tenho esperança que Março traga algo de novo mas sei que para isso acontecer tenho que fazer diferente.                    

As mulheres da minha vida

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As mulheres da minha vida são todas as que vieram antes e de quem trago algo em mim delas.

São as que fazem parte da minha vida sendo que, algumas nem conheci.

Sinto-as no bater do meu coração, sinto a sua tristeza e as suas alegrias, as suas vitórias e as suas derrotas. 

As minhas mulheres foram donas de uma força que sempre foi característica das mulheres da minha família, pena tenho eu de não conhecer um pedacinho das suas histórias mas quando as sinto, sinto muito orgulho nelas todas.

Hoje a minha homenagem e a minha memória é para elas, pela vida difícil, pela falta de liberdade, por sonhos que nunca concretizaram ou por sonhos que nunca tiveram, pela família que criaram condicionadas muitas vezes pela guerra, pelas doenças, pelo trabalho difícil que tiveram.

Obrigada.

 

Certos lugares não dão o melhor fruto

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Lembrei-me no outro dia na forma como me sentia cada vez que ia para um lugar. Questionava-me tantas vezes "O que estás aqui a fazer?", "Porque te sujeitas a isto?", "Não voltes" mas voltei sempre.

Lembrei-me também que ouvi que é no desconforto que se cresce, então balanceava entre o que sentia e a teoria, descurei o que sentia. Porque pensei e muitas vezes penso que há muita coisa que é fruto da minha imaginação, que é o que eu gostaria que fosse e não é, ou é porque tenho medo do que estou a sentir ser verdade.

O meu jasmim estava a dar sinais que estava a secar, mas o seu cheiro continuava a ser maravilhoso e não lhe dei a devia atenção, quando por fim decidi mudá-lo de vaso percebi que algumas raízes já estavam de fora e a terra parecia já não ter os nutrientes suficientes.

Percebo agora que nem todos crescemos ou desenvolvermos no mesmo tipo de terra, por isso é que determinadas plantas ou árvores só se dão em determinados tipos de solos e se insistirmos acabam por morrer ou por darem frutos sem o mesmo sabor.

O nosso caminho não é igual ao do outro e nem todos crescemos verdadeiramente bem no mesmo tipo de solo ou ambiente.

Procurar o nosso crescimento num ambiente saudável e a não perder a essência dará sempre melhores frutos, nunca esquecendo que há num ano existem várias estações. 

 

 

 

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