Bendita adolescência

Ter uma filha adolescente com amigas e amigos adolescentes faz-me pensar muito na minha própria adolescência.
Nós a geração dos 70 quase 80 fomos uns adolescentes sortudos, e acredito mesmo que mais livres do que os adolescentes são agora.
Igualmente com as mesmas preocupações, sermos "fixes" e aceites, estar na moda, roupas de marcas mas nada muito exigente, não pertencer ao grupo dos cromos (agora NPC).
Não culpando muito aquele objecto imprescindível na nossa vida actual, mas culpando, é sem dúvida um objecto que traz a estes jovens e futuros adultos uma grande pressão e ansiedade.
Mas o que se passa também com os jovens pais?
Em duas zonas diferentes do nosso país assisti num restaurante a um casal com uma criança talvez de 6/7 anos em que os 3 passaram o tempo TODO da refeição cada um a olhar para o seu próprio telemóvel durante a refeição toda!
Noutra zona, outro casal mais novo com duas crianças mais pequenas, uma delas ainda usava fralda, a almoçarem a olharem para o telemóvel de um dos pais enquanto comiam, e os pais esperavam para decidirem o que almoçar.
Percebi que estes dois casais pertenciam a classes sociais diferentes, por isso nada tem a ver com classe, com posses mas sim com a educação que estamos a dar neste caso também aos mais pequenos.
Cresci a ouvir e a vivenciar a importância da refeição, "a refeição é sagrada", como era importante comermos juntos e esperarmos uns pelos outros. E a educação também se vê à mesa.
A Dona da Verdade não sou eu, nem "Velha do Restelo" mas acho que temos mesmo que refletir e sobretudo mudar as nossas acções se queremos um futuro diferente.
Agradeço a minha adolescência mesmo que não tenha sido perfeita nem como imaginei mas que me deixou o essencial.